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LE MERCURE


Parecendo uma estátua do escultor Giacommeti, a rua Menilmontant sob o morro até o lugar chamado Altos de Belleville. Este bairro, para não confundir com o bairro de Belleville mais em baixo, esforça-se com dificuldade, para encontrar sua propria idendidade, e também merecer o label tão cobiçado de «Paris la nuit». Se um pouco mais em baixo chegou a hora da Bastilha…porque não a nossa ? Onde outrora, viviam familias de operários francezes e também ponto de dos encontro dos temidos «blusões pretos» dos anos cinquenta, um punhado de bares, livrarias e teatrinhos colaboram calmamente para fazer dos altos de Belleville o novo Paris by Night. Muros cobertos de graffittis reveladores, rivalisam com o aumento constante de galerias tradicionais.

Do outro lado da rua de Belleville, a pacata Plâce des fêtes ­ praça das festas de outrora, afoga-se numa tempestade de edificios monumentais de onde jorram uma mistura de portugueses, turcos, ioguslavos, blacks, chineses e a maior concentração de judeus da Ilha da França ! Por entre ruas tortuosas vestigios de profisões antigas e os inevitaveis bares arabes.

O Mercure poderia se contentar de ser um à mais se o dono, Kamel Bouzid nascido em Alger na Argelia não fosse um artista frustrado. Longe de amargar a triste sina dos artistas frustados, ele soube fazer de sua pessoa o personagem-mor do sucesso de seu estabelecimento. Com seu carisma à la guru, ele garante àquales que aterisam no Mercure por sede ou por acaso, momentos de serenidade ou eletricidade, dependendo do seu seu humor… Mais de uma dúzia de casais se encontraram para sempre… graças à êle ! uma discreta galeria de fotos de crianças penduradas numa parede testemunham. Ele abriu, ou mais precisamente concedeu suas paredes à livre imaginação do artista plastico suisso Daniel Affolter, colagista que previlegia a tridimensão. Fotos, objetos de plastico, dialogam com flores secas, sapatos velhos, frases e desenhos que entapetam as paredes. Mesmo depois de uma dezena de idas ao Mercure tem gente se se surpreende com o descobrimento de um detalhezinho que até então lhe escapara !


Ainda por cima, pode-se escutar velhas canções francezas no acordeão ou uma apresentação de teatro de bar. Tem com cosinha francesa ao meio dia e o dia inteiro o prato mais consumido na França…a pizza ! Ao lado dos tradicionais chopinhos, pastis e o cha de menta se instalou a caipirinha brasileira, o coquetel caçula na familia dos bares do mundo inteiro.

Seu publico é tão variado quanto a arquitetura e a comunidade do lugar. Os amigos argelinos de Kamel com suas apostas de corridas de cavalos podem visinhar uma importante reunião de ativistas homossexuais ou um aniversario de criança…

Artistas e intelectuais do lugar escolheram o Mercure como sede, mas tem gente que vem de outros bairros e mesmo de outras cidades para passar uma noitada ou alguns minutos. Tem os idolos locais como a cantora-acordeonista Charlotte et Etc., Willie, Gabrielle e sua voz de Piaff, os Tenores de Brest, Fanch e Antonio Café. O suiço stephane Eicher o elegeu abertamente seu bar parisiano preferido. Reportagens e entrevistas são filmados frequentemente nos locais. Iggy Pop porém, so passou três vêzes !




LE MERCURE

84,RUE PIXÉRÉCOURT

75020 PARIS


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